domingo, 4 de fevereiro de 2018

[Resenha - Rocco] Gostar de ostras

Postado por Ju às 23:00 16 comentários
Título: Gostar de ostras
Autor: Bernardo Ajzenberg
Editora: Rocco
Número de páginas: 192

Um jornalista solteiro e entediado de trinta e poucos anos e um espalhafatoso casal de franceses octogenários são os protagonistas do novo romance do prestigiado escritor, tradutor e jornalista Bernardo Ajzenberg. Em Gostar de ostras, Marcel e Rachelyne Durcan invadem o cotidiano monótono de Jorge, seu vizinho, de forma semelhante à trepadeira que cresce desordenadamente no jardim do prédio onde moram, compensando sua presença caótica com uma flor roxa de beleza intensa. Com sua prosa ao mesmo tempo firme e sensível, Ajzenberg envolve o leitor com a história dessa amizade improvável, que levará os Durcan a revisitar seu passado difícil, incluindo os motivos que fizeram com que deixassem seu país, e que mostrará a Jorge que a vida pode ser mais desafiante e colorida do que ele se acostumou a imaginar.

Gostar de ostras é narrado por Jorge Blikstein, jornalista, trinta e poucos anos. O livro não tem exatamente uma história com princípio, meio e fim; o protagonista simplesmente começa a nos apresentar uma parte recente de sua vida. Um tempo que passou morando num edifício na Rua Bela Cintra, em São Paulo, quando conviveu com dois vizinhos franceses octagenários que decidiram viver no Brasil: Marcel e Rachelyne Durcan.

Ele vai nos dizendo como vive e o porquê de sua vida ser daquela maneira. Nos apresenta suas perdas, suas frustrações, e também nos mostra coisas importantes que o casal lhe ensina. Não é o tipo de história que costumo ler, mas quis sair um pouca da zona de conforto e o enredo me envolveu bastante, fiquei bem curiosa para saber o rumo que as coisas tomariam. E não me decepcionei.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

[Editora Parceira] Coerência

Postado por Ju às 21:00 9 comentários
Boa noite!

Hoje trago uma ótima notícia: o blog agora é parceiro da Editora Coerência.


Ela publica alguns autores que já li e outros que tenho muita vontade de ler, e o melhor: sempre autores nacionais! Amo quando tenho a oportunidade de mostrar como é rica e diversificada a literatura produzida no nosso país, então fiquei realmente muito feliz quando recebi a notícia.

Espero que curtam os livros que em breve apresentarei para vocês. E, por enquanto, que tal visitar as redes sociais da editora para conhecê-la melhor?

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

[Resenha - Rocco] Mantendo um olho aberto: ensaios sobre a arte

Postado por Ju às 23:00 10 comentários
Título: Mantendo um olho aberto – ensaios sobre a arte
Autor: Julian Barnes
Tradução: Pedro Sussekind
Editora: Rocco
(Selo Anfiteatro)
Número de páginas: 256
Skoob


Ganhador do Man Booker Prize e um dos principais nomes da literatura britânica, Julian Barnes transita entre o romance, o conto e o ensaio com destreza e naturalidade. Em Mantendo um olho aberto, o ficcionista dá lugar ao intelectual, sem abrir mão do prazer da narrativa, numa série de ensaios sobre arte. Focalizando quase dois séculos de produção pictórica, Barnes conduz o leitor pelo labirinto de tendências, escolas, estilos, correntes e vertentes que compõem o universo da pintura, analisando desde obras clássicas, como A balsa da Medusa, de Géricault, até os perturbadores nus de Lucien Freud, neto do inventor da psicanálise; do cubismo à pop art; de pintores badalados como Cézanne e Delacroix a mestres pouco populares, como Vuillard e Juan Gris, sempre movido pela convicção de que a pintura não se limita a capturar a emoção do mundo exterior e que a ambição maior da arte é renovar nossa visão de mundo.


Em todas as artes, há normalmente duas coisas acontecendo ao mesmo tempo: o desejo de fazer o novo e o diálogo contínuo com o passado.

Faz tempo que sou apaixonada por pintura. Para me fazer feliz é só me convidar para ir a um museu e dizer que eu posso ficar quanto tempo quiser de frente para cada quadro sem ser perturbada... rs... Porque normalmente tenho que fazer mais de uma visita para ver tudo, e depois ainda volto para rever minhas obras preferidas.

Quando tomei conhecimento do lançamento desse livro, logo me encantei por ele. E adorei a forma como o autor estruturou seu desenvolvimento. Ele nos fala sobre vários pintores (além de poucos escultores) e suas obras; logo na primeira história que conta, narra primeiro um desastre real, um naufrágio, e depois explica como o acontecimento foi retratado por um pintor da época, Géricault. E engraçado que o segundo artista de quem fala é Delacroix, que serviu de modelo para uma das pessoas retratadas no quadro do outro pintor. Na parte sobre ele, o autor fala sobre o diário que escrevia e sobre sua obra no geral, principalmente quanto ao uso da cor. Mais para a frente, ao falar de outro pintor, Fantin-Latour, ele mostra que seu quadro “Homenagem a Delacroix” nada mais é que uma não homenagem, já que tem um estilo tão diferente quando possível.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

[Teatro] A visita da velha senhora

Postado por Ju às 23:00 8 comentários
Estive em São Paulo por alguns dias e, embora tenham sido dias muito corridos e tenha faltado tempo para fazer tudo o que eu precisava fazer, fiz questão de reservar uma noite para rever uma peça que assisti pela primeira vez em 2017 e amei demais. Trata-se de A visita da velha senhora, em cartaz no Teatro do Sesi, na Avenida Paulista.

Se você mora em São Paulo e não tem costume de assistir às peças que ficam em cartaz por lá, não sabe o que está perdendo. Já vi várias e nunca saí decepcionada. E não tem desculpa para não ir, já que os ingressos são sempre gratuitos, distribuídos nos dias 10 e 25 de cada mês, a partir das 8 da manhã, pela internet, através do Meu Sesi. Mas normalmente tem gente que não comparece, o que permite que várias pessoas consigam assistir chegando com antecedência no dia do espetáculo para pegar um dos ingressos remanescentes. Na sessão do dia 31/01, por exemplo, sobraram vários lugares, o que é uma pena, principalmente falando de uma peça tão fantástica. Vamos a ela. 

A visita da velha senhora
Autor: Friederich Dürrenmatt
Tradução: Christine Röhrig
Adaptação: Christine Röhrig, Denise Fraga e Maristela Chelala
Direção geral: Luiz Villaça
Elenco: Denise Fraga, Tuca Andrade, Ary França, Fábio Herford, David Taiyu, Romis Ferreira, Maristela Chelala, Renato Caldas, Eduardo Estrela, Beto Matos, Luiz Ramalho e Rafael Faustino
Duração: 120 minutos
Classificação: 14 anos, por conter cenas de violência, consumo de álcool e tabaco, sugestão sexual 
Em cartaz no Teatro do Sesi-SP (Avenida Paulista, 1313)  até 18/02/2018 - De quarta a sábado às 20 horas e domingo às 19 horas

Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire Zahanassian impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e a abandonou grávida. Tendo a proposta rejeitada, Claire decide esperar hospedando-se com seu séquito no hotel da praça principal. A partir dessa premissa, o suiço Friederich Dürrenmatt cria uma sequência tragicômica de cenas que expõe ao máximo a fragilidade moral do homem quando a palavra é dinheiro. Quem mata Krank? Cairá Güllen na tentação de satisfazer o desejo de vingança da milionária? Ou fará justiça? Até que ponto a linha ética enverga diante do poder do dinheiro

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

[Resenha - Seguinte] Tash e Tolstói

Postado por Ju às 23:00 15 comentários
Título: Tash e Tolstói
Autora: Kathryn Ormsbee
Tradução: Lígia Azevedo
Editora: Seguinte
Número de páginas: 376

Natasha Zelenka é apaixonada por filmes antigos, livros clássicos e pelo escritor russo Liev Tolstói. Tanto que Famílias Infelizes, a websérie que a garota produz no YouTube com Jack, sua melhor amiga, é uma adaptação moderna de Anna Kariênina. Quando o canal viraliza da noite para o dia, a súbita fama rende milhares de seguidores — e, para surpresa de todos, uma indicação à Tuba Dourada, o Oscar das webséries. Esse evento é a grande chance de Tash conhecer pessoalmente Thom, um youtuber de quem sempre foi a fim. Agora, só falta criar coragem para contar a ele que é uma assexual romântica — ou seja, ela se interessa romanticamente por garotos, mas não sente atração sexual por eles. O que Tash mais gostaria de saber é: o que Tolstói faria?

Alguém aí ama Anna Kariênina? Porque eu amo. E Tash também. Ela é uma garota que ainda cursa o ensino médio, mas isso não a impede de começar um projeto mega ambicioso: lançar uma websérie baseada na obra de Tolstói. Depois de um tempo no ar, Famílias Infelizes até conquistou algum público fiel, só que bem menor que o esperado. Quando uma YouTuber de destaque indica a série, tudo muda. 

Tash (apelido de Natasha, portanto se lê “Tásh” mesmo) tem uma irmã prestes a ir para a faculdade, mora com os pais e tem dois melhores amigos da vida toda - um casal de irmãos, Jack e Paul, que moram a 12 casas de distância. Conversa por internet/ WhatsApp com um Youtuber famosinho, Thom, e acredita que tem um interesse romântico por ele, provavelmente correspondido. Mas nada em sua vida é simples nessa área, já que Tash é assexual. Uma garota que se interessa romanticamente por garotos, mas não tem nenhuma vontade de fazer sexo com eles (nunca teve e acredita que nunca terá, nada a ver com se sentir pronta ou não).
 

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